Humberto Costa guiou uma escola inglesa pela Amazônia, e a agenda até novembro
Nesta edição: o Humberto Costa guiando uma escola inglesa pela Amazônia, com uma família ribeirinha e o povo Tatuyo entre os professores; o ENGB de novembro sem cobrança de entrada, com a correção do que a edição passada disse sobre isso, e a Guilda com prazo de lote; outubro com mato em quatro estados; um livro novo do Otávio Cko sobre a origem de duas palavras; cinco vídeos que valeram a quinzena; e o carrapato-estrela como atenção do mês.
Humberto Costa guiou a escola inglesa pela Amazônia
Foram 24 dias de Amazônia, entre montar e realizar: a expedição da Woodland Ways, escola britânica de bushcraft, teve o Costa como guia no país, e quatro fases, duas delas com professores da própria floresta.
24 dias do Costa na selva | 8-19/09 a expedição de 2026 | 4 fases | 10 alunos, no máximo |
Humberto Costa, da Costa Bushcraft and Survival, fechou em 18 de setembro o que chamou de missão cumprida: 24 dias vivendo a Amazônia, entre a montagem e a realização do Jungle Survival. É a expedição amazônica da Woodland Ways, escola britânica de bushcraft e sobrevivência dirigida por Jason Ingamells, com base em Derbyshire, na Inglaterra, que tem no Costa o guia no Brasil. A página da escola diz que a expedição é conduzida pela equipe dela em parceria com profissionais locais e comunidades indígenas, e que é a relação de uma vida do Costa com a Amazônia que garante acesso, segurança e integridade cultural do começo ao fim.
Pela página da Woodland Ways, são duas semanas, dez dias dentro da floresta, no máximo dez alunos e chegada por Manaus. A expedição inclui comida e água no acampamento, com um aviso: o aluno ajuda a preparar as duas. Cobre também o transporte por terra e por rio e o albergue da primeira e da última noite. Do preparo físico, a escola pede pouco e avisa bastante: quem caminha um dia inteiro por morro e campo, em terreno irregular, sem problema, deve dar conta, mas o calor e a umidade são altos, e pesam mais do que parece.
A primeira fase é um acampamento fixo de cerca de cinco dias, e o programa publicado tem nove frentes. Começa pela cabeça: medo, carga mental e tomada de decisão num ambiente úmido e cheio de estímulo. Segue por navegação natural, bússola, mapa e viagem de rio, com o que a escola chama de avaliação honesta dos limites do GPS debaixo da copa fechada. Depois vêm ferramenta e artesanato com material da mata; corda, amarra, cesto e rede de fibra natural; caça, armadilha, pesca e uso de planta, com ênfase em sustentabilidade e na prática local; abrigo que dê conta de chuva, ventilação, inseto e calor; água, da busca à purificação; primeiros socorros de selva, com protocolo para picada de bicho peçonhento e plano de evacuação; e o comportamento da fauna, de cobra e inseto a mamífero grande.
Vale ler essa lista devagar, porque ela serve a quem pratica aqui sem nunca ter pisado em Manaus. Repare na ordem: antes de qualquer ferramenta, o primeiro item é como a cabeça reage ao medo e ao cansaço, e é ela que decide o resto. Duas outras coisas chamam atenção. A primeira é o sono: a escola põe o sistema de rede, o manejo da roupa e a qualidade do descanso dentro do item do abrigo, como fator de desempenho, e não como conforto. É a mesma rede que a Woodlore destacou na edição 02, quando escreveu sobre o Dambrós: rede com mosquiteiro e lona por causa da umidade, do inseto e da chuva, que a escola do Ray Mears chamou de exemplo de adaptar técnica ao ambiente. A segunda é o GPS. Uma escola que vende expedição diz com todas as letras que ele tem limite debaixo da mata fechada, e ensina bússola, mapa e leitura do terreno antes dele.
Depois do acampamento, a expedição passou por duas comunidades. A primeira, pela página da escola, é uma comunidade de rio de água preta, especializada em trançado, uso de balsa e vida sustentável no rio. No relato do Jason, foram dias com uma família ribeirinha que vive da floresta e do rio na cheia e na seca, aprendendo pesca de arpão, linha de mão e flutuação.
A terceira fase foi rio acima, com uma comunidade do povo Tatuyo. A página fala em subir em árvore para colher alimento, técnicas tradicionais de caça e pesca e a feitura de pigmentos naturais, dentro de um quadro espiritual e cultural; o Jason relatou armadilha, coleta, preparo dos frutos da floresta e trançado. Pelo Instituto Socioambiental, os Tatuyo estão entre os povos de língua da família tukano oriental do rio Uaupés, no noroeste amazônico.
A quarta foi o isolamento: pequenos grupos deixados na mata com equipamento reduzido, escolhendo onde acampar, montando abrigo, conseguindo comida e cuidando do fogo sem instrução direta. A duração dessa fase não é revelada de propósito, diz a página, e os grupos não sabiam quando seriam retirados. A escola avisa ainda que, uma vez lá dentro, em algumas áreas não há como sair, nem comunicação com o mundo de fora até os pontos de encontro. Terminou sem incidente. O encerramento teve uma cerimônia de bênção dos Tatuyo, e sobre isso não há o que acrescentar.
O que isso diz a quem lê daqui. Na edição 02, foi a Woodlore, a escola do Ray Mears, que perguntou ao Dambrós como se faz bushcraft no Brasil. Agora uma escola inglesa trouxe alunos para aprender aqui, e os professores das fases do meio foram uma família ribeirinha e um povo indígena, com nome. O próprio Costa resumiu em 25 de setembro: é um encontro de quem busca conhecimento com quem compartilha conhecimento, inclusive ancestral. E é só o começo, disse.
E vale notar o cuidado com que a própria escola escreveu. A fase com os Tatuyo aparece dentro de um quadro espiritual e cultural, e não como aula de técnica solta, e o que se aprende com a comunidade do rio vem junto com o significado do ofício. É a régua de Outros matos, a editoria deste boletim sobre de onde vêm as coisas que a gente usa: técnica de outro povo chega com o nome do povo, e o que é cerimônia continua sendo cerimônia.
O ENGB de 2026 não cobra entrada
O guia do participante do 11º encontro, no Rio, diz com todas as letras: excepcionalmente em 2026, não há cobrança de entrada. Quem vai paga só o uso do camping, e um fim de semana com barraca pequena sai por 84,20 reais.
R$ 0 entrada no 11º ENGB | R$ 36,50 pernoite por pessoa, por noite | R$ 18 day use por pessoa | 20-22/11 Recreio dos Bandeirantes, RJ |
O Encontro Nacional de Grupos de Bushcraft publicou o guia do participante da 11ª edição, e o perfil oficial passou a apontar para ele nos posts de 25 de setembro em diante. O item 6, Quanto custa, abre em caixa alta: excepcionalmente em 2026, o ENGB não terá cobrança de entrada. A participação no evento é gratuita.
O que se paga é o camping, direto ao Camping Clube do Brasil, na unidade RJ-10 do Recreio dos Bandeirantes, em frente à Praia da Macumba, na Estrada do Pontal, 5.900. Quem vai pernoitar paga 36,50 reais por pessoa por noite, mais a barraca, a rede ou a tenda: 5,60 por noite até 9 metros quadrados, 13,40 até 24. Quem vai só durante o dia paga o day use, 18 reais por pessoa a partir de 5 anos. O próprio guia faz a conta: uma pessoa com barraca pequena, de sexta a domingo, são duas noites e 84,20 reais. Um casal, 157,20.
O guia traz também o que pesa na mochila de quem vai. O camping não tem bebedouro de água potável, então a água vai junto ou se compra lá. A energia é 220 volts. Há banheiro e chuveiro quente. Comida própria e fogareiro são permitidos, dentro das regras do camping. Grupos com mais de 10 pessoas podem ter condição especial na compra antecipada de patch e camisa, e a organização recomenda comprar antes, porque o estoque no local pode ser curto; quem comprar e não puder ir tem um mês depois do evento para combinar a retirada. Na lista do que levar entram copo reutilizável, saco para o próprio lixo, roupa de chuva, repelente e extensão elétrica. E a organização pede que cada grupo leve a sua bandeira, e que caravana de ônibus avise antes.
E há três regras que mudam a mochila de quem pratica bushcraft, todas no item 16 do guia. Não haverá fogueira durante o ENGB, por causa da área de preservação ambiental vizinha ao camping. Churrasqueira só suspensa, sem contato com o solo. E não é permitido pernoitar em abrigo improvisado nem em sistema de bivaque: é barraca, rede ou tenda. Quem planejava montar abrigo de lona e galho para dormir, planeja outra coisa. O guia avisa ainda que o encontro não será cancelado por chuva, e que proteger a própria estrutura contra chuva e vento é responsabilidade de cada um.
Quem vem de avião desce no Galeão ou no Santos Dumont, e o guia sugere aplicativo direto até o camping. Para quem vem de ônibus de fora do Rio, o caminho que o guia indica é sair da Rodoviária Novo Rio para a Central do Brasil, pegar a linha 315 até o Mercado Leão, no Recreio, e dali a linha 810, que passa mais ou menos de hora em hora e deixa em frente ao camping. Animal, só de pequeno porte, com taxa de 10,50 reais por noite, e nenhum no day use, que vale até as 18h. Menor de 18 anos, só com o responsável legal junto.
Nas últimas duas semanas, o perfil do encontro foi confirmando quem vai: o grupo Guerreiros Bushcraft, a revista Guerreiros Outdoor com a cobertura oficial, a Javalis Outdoor como loja oficial e patrocinadora, a Survivor Gear na área de expositores, o grupo de trilha Tamo Junto na Trilha e, na segunda, 28 de setembro, o Jocimar Bruno. A programação completa ainda não saiu: o guia diz que o link entra na mesma página assim que estiver pronto. O mesmo vale para os horários de check-in e de credenciamento, que o guia promete divulgar depois.
Uma correção, porque ela é nossa. A edição 03 disse que a entrada seria paga direto ao camping, com valor diferenciado para participante. Era o que o perfil oficial tinha publicado em 3 de agosto, e foi o que se repassou nos grupos. O guia de agora diz outra coisa, e vale o guia: o ENGB não cobra, e o camping cobra o uso. Quem repassou a informação da edição passada, repassa esta.
Duas semanas antes, em Brasília, a Guilda Bushcraft abriu a inscrição da segunda edição, que leva o nome Reunindo Amigos. O encontro é de 6 a 8 de novembro, no Clube Gravatá, em Ceilândia, no Distrito Federal, com credenciamento a partir das 6h da sexta e abertura oficial às 16h. O primeiro lote custa 130 reais e vale os três dias, até 25 de outubro às 23h59. A meia entrada, de 65 reais, é para maiores de 60 anos, menores de 12 e estudantes, com comprovação na chegada. Patch, camisa, boné e lenço estão em pré-venda até a mesma data.
Os palestrantes anunciados na página de inscrição são Giuliano Toniolo, Coronel Montibeller, o grupo Guerreiros Bushcraft, Humberto Cerrado, Wester Silva e Moraes Preparação. O grupo que organiza a Guilda é formado por Wellington Aranha, Wester Silva, Alex Moraes e Nicolai Mirsky, e o credenciamento é feito na chegada, com pulseira de participação. O link já circula nos grupos desde meados de setembro; o que a gente acrescenta é a data que importa, domingo, 25 de outubro, quando vence o lote. Para quem nunca foi, o BushCast, programa semanal dos Guerreiros, dedicou o episódio 221, de 22 de setembro, só à Guilda: uma hora e meia sobre a história, as oficinas, os expositores e o que está sendo preparado para este ano.
BushCast 221: youtu.be/0nRaKE4jGm8
Os dois encontros ficam a duas semanas de distância e têm modelos diferentes. Um cobra ingresso e vende o lote com antecedência; o outro abriu mão da entrada e deixou a conta com o camping. Para quem organiza, são dois jeitos de responder à mesma pergunta. Para quem vai, é novembro com duas datas e a conta já feita.
Lá fora, o mesmo fim de semana da Guilda tem o Georgia Bushcraft Fall Gathering, nos Estados Unidos, de 6 a 8 de novembro, com mais de 150 aulas. O Wilderness Gathering, o festival de bushcraft mais antigo do Reino Unido, já marcou 2027: de 19 a 22 de agosto, de novo em Hole Park, no condado de Kent.
Outubro tem mato em quatro estados
Um encontro de três dias na Paraíba, uma imersão de fim de semana em Santa Catarina, uma oficina de um dia em São Paulo e um curso de uma semana em Minas. Quatro formatos, em pouco mais de duas semanas.
16-18/10 EMCG, Massaranduba, PB | 24/10 Lâminas e Fogo, Mairiporã, SP | 25-31/10 Cobra Criada, Lagoa Santa, MG | 31/10 Dambrós Intensive, até 1/11, Garuva, SC |
O EMCG, o Encontro dos Mateiros, abre o mês de 16 a 18 de outubro na Granja Terraço do Mocó, em Massaranduba, na Paraíba. A inscrição fechou em 20 de setembro, como avisado aqui, e no último dia o Arthur Jorge anunciou o Giuliano Toniolo como convidado especial da edição, ao lado do Humberto Costa. A lista de apoio cresceu na reta final, com o Tocaia Bushcraft entre os nomes novos.
No sábado, 24, o Mota Bushcraft faz no Camping Mairiporã, na Grande São Paulo, a última edição do ano da oficina Lâminas e Fogo na Natureza. O Vitor anunciou em 25 de setembro, com vagas limitadas, e no mesmo formato da edição de setembro: lâmina, madeira, fogo e isca. É a data mais perto de quem está no Sudeste, e a única do mês que cabe num dia só.
E em Lagoa Santa, Minas Gerais, a Escola Mestre do Mato fecha outubro com dois cursos seguidos: o de fogo primitivo, em 23 e 24, e o Cobra Criada, de 25 a 31, uma semana de treinamento e vivência em campo ministrada pelo Giuliano Toniolo, com apenas seis vagas, segundo o anúncio de 21 de setembro. Somando o EMCG e a palestra marcada na Guilda, são três estados em menos de um mês para um dos seis nomes que o mapa lista entre os mestres.
E a imersão de Santa Catarina mudou de data: o primeiro Intensive da Escola Catarinense de Bushcraft, com o Leocir Dambrós em Garuva, passou para 31 de outubro e 1º de novembro, por causa do segundo turno, e dá para esticar até o feriado do dia 2. O Dambrós já mostrou a imersão em dois vídeos no canal dele.
E a primeira data de 2027 já existe. O Moidú Bushcraft, encontro do Rio Grande do Sul, anunciou a quinta edição para 30 de abril a 2 de maio de 2027, com o tema Vida ao Ar Livre, Wilderness Craft. A identidade visual imita pintura a óleo, em homenagem ao Nagualero, o Ric, criador de conteúdo que registrava os acampamentos também em pintura.
Quatro formatos para a mesma pergunta, que é quanto tempo você tem. Sua data não está aqui? Manda pelo direct. Entra na próxima, sem custo.
Otávio Cko foi atrás de duas palavras
Um dos seis mestres do mapa publicou um livro sobre a origem de woodcraft e bushcraft. Não é manual: é pesquisa, e com posição declarada.
124 páginas | R$ 39,99 na loja da UICLAP | 2º livro do autor |
O Otávio Cko, nome com que o Otávio de Souza Meiatto assina no meio, apresentou em 11 de setembro o segundo livro dele: Woodcraft e Bushcraft, um ensaio sobre origens e essência. A pergunta que abre o anúncio é direta: de onde realmente vieram o woodcraft e o bushcraft, não só como prática, mas como conceito, tradição e forma de entender a relação entre gente e natureza.
Pela sinopse, é uma obra histórica e analítica, apoiada em pesquisa bibliográfica e documental: percorre as primeiras ocorrências dos dois termos, como eles se consolidaram com o tempo, e onde as duas tradições se aproximam e se separam. E tem posição. O Otávio escreveu que o livro nasceu também da inconformidade com o jeito como essas tradições vêm sendo reinterpretadas e moldadas às conveniências do presente. É, nas palavras dele, um convite para olhar para trás antes de decidir para onde seguir.
O livro saiu pela UICLAP, a mesma plataforma de publicação independente em que estão os livros do Arthur Jorge e do Giuliano Toniolo. É o segundo título do autor, depois de Fogo e Bushcraft, que trata o fogo como elo com a história dos povos.
Não é resenha. O livro ainda não passou pela estante daqui, e a editoria tem regra: resenha só depois de ler, dizendo o que o livro ensina de fato, para quem serve, onde é denso e onde é raso. Quando passar, sai. E vale a declaração de sempre: o Otávio é leitor deste boletim, está no mapa e já respondeu a uma prática da quinzena.
Foi ele, aliás, quem respondeu em público à prática da edição 02, entalhe uma peça e diga a madeira: um jogo de talheres em goiabeira, de sobra de poda, entalhado com a madeira já seca, que ele achou dura, mas boa para praticar. Dias depois, em 3 de setembro, mostrou a primeira kuksa, a caneca de nó de madeira dos Sámi, do norte da Escandinávia, que foi matéria no blog em agosto. Imperfeita, ele escreveu, mas feita pelas próprias mãos.
A origem da palavra bushcraft é pauta que este boletim quer contar em Outros matos, a editoria sobre de onde vêm as coisas que a gente usa. Agora existe um livro brasileiro inteiro sobre ela, escrito por quem pratica.
Cinco vídeos que valeram a quinzena
Um case de couro feito à mão, uma técnica do Norte, uma oficina da Paraíba, uma mochila do sertão e quatro dias de chuva sozinho. Com o nome de quem fez e uma linha de por que vale.
Jorge, do Mato Verde Bushcraft, em Santa Catarina, mostrou em 20 de setembro, em primeira mão, uma peça que queria havia tempo e que não se acha pronta no Brasil: um case de couro, todo feito à mão, que leva junto o machado e a serra de São José. Fivela, mosquetão e rebites são de latão, a alça sai para manutenção e a tampa fecha com dois botões de pressão. Quem fez foi o Robson Budernik, da Budernik Couros, artesão de pederneiras e strikers. Ainda é primeira impressão, gravada de dentro do tipi e com a voz gripada, e o teste no mato ficou prometido para as próximas semanas. Vale pelo artesão e pela ideia de uso: uma tarde buscando fatwood com mochila pequena, as duas ferramentas grandes por fora.
Assista: youtu.be/anc6g6xqiLE
Giuliano Toniolo publicou em 21 de setembro dois minutos sobre a peconha, o laço preso aos pés que o apanhador de açaí usa para subir no tronco liso da palmeira, feito tradicionalmente da própria palha torcida. É técnica de trabalho do Norte, e a queda é o risco dela. Conversa com a matéria de capa: subir em árvore para colher alimento está no programa da fase com os Tatuyo.
Assista: youtu.be/LwnCslRFsAU
Arthur Jorge, de Campina Grande, na Paraíba, em 14 de setembro: três modelos de suporte de panela para o fogo, o pot hanger, e como fazer tecido carbonizado. São 22 minutos de oficina sem pressa, do anfitrião do EMCG. Vale para quem vai ao encontro e quer chegar com o básico feito, e para quem não vai e quer aprender com quem recebe.
Assista: youtu.be/6u436LZj3X4
Fernando Riça, do Vereda Sertaneja, no Ceará, mostrou em 26 de setembro o que leva na mochila para uma atividade de um dia. Seis minutos, e a ressalva que faz o vídeo valer: se for pernoitar, quase tudo muda, até a mochila. Vale por separar as duas coisas com clareza, e pelo sertão como cenário, que a curadoria daqui quer ver mais vezes.
Assista: youtu.be/otlhgF13Hn8
E o Leocir Dambrós, em 21 de setembro: quatro dias sozinho na mata, com chuva forte em dias seguidos, reformando e trançando uma cadeira com cipó, cuidando do fogo debaixo de tempestade e assando carne em pedra quente. Passou de 15 mil visualizações em uma semana, e a cadeira trançada, do minuto 3 em diante, já vale o vídeo. É o professor do Intensive de outubro trabalhando sozinho, que é um bom jeito de ver como ele ensina.
Assista: youtu.be/8uYOL43UNvY
Atenção do mês: o carrapato-estrela
São Paulo soma 26 mortes por febre maculosa em 2026, em 28 casos confirmados. A doença pega em quem anda no mato, e a fase jovem do carrapato, a mais difícil de ver, fica alta no ambiente até novembro.
28 casos confirmados em SP em 2026 | 26 mortes | 6 casos em investigação |
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou em 25 de setembro a 26ª morte por febre maculosa no estado neste ano, em 28 casos confirmados, com outros seis em investigação. As regiões de Campinas, com 10 casos, e de Piracicaba, com 6, concentram as infecções prováveis; Sorocaba tem 3. Em 2025, o estado teve 61 casos e 44 mortes.
A doença é causada por uma bactéria e passa pela picada do carrapato infectado, principalmente o carrapato-estrela. Segundo a Secretaria, entre junho e novembro a infestação de ninfas, a fase jovem do bicho, pequena e difícil de ver na pele, é alta no ambiente.
Os sintomas aparecem em cerca de sete dias: febre, dor de cabeça forte, dor no corpo e nas juntas, cansaço. Entre o terceiro e o quinto dia surgem manchas avermelhadas, que começam nos punhos e nos tornozelos. O tratamento é com antibiótico específico, gratuito no SUS, e deve começar logo, sem esperar a confirmação do laboratório. A rapidez é o que muda o desfecho.
Na prática, para quem vai ao mato agora: roupa clara, de manga longa, calça comprida e calçado fechado, porque no tecido claro o carrapato aparece. Repelente conforme a orientação do fabricante. Olhar o corpo inteiro a cada três horas em área de risco, e de novo no banho. Achou um preso? Pinça, movimento firme e delicado, sem esmagar. E se a febre vier na semana seguinte, conte ao médico onde você esteve: é o que ajuda a pensar em febre maculosa a tempo.
E o aviso que não muda, em uma linha: São Paulo está na fase vermelha da Operação SP Sem Fogo, que vai de junho a outubro. Fogo elevado, sempre, e nenhuma fogueira de chão.
Febre depois do mato? Conte ao médico onde você esteve.
Prática da quinzena: o fio que corta papel
Com carrapato no mato, a prática desta quinzena é de mesa de cozinha.
Afiar a faca. Pedra, lixa colada numa tábua ou o que você tiver, mantendo o mesmo ângulo do fio de um lado e do outro. O teste é uma folha de papel segura por uma ponta: a faca afiada corta sem rasgar.
Manda o vídeo do teste: no grupo do Pico Alto no Instagram, é só postar; no seu perfil, marcando o @picoaltobushcraft com a tag #praticadoalto. Quem ainda deve a amarra quadrada da edição passada, manda junto. O que chegar vira matéria na próxima, com crédito.
Pico Alto Bushcraft no Instagram: @picoaltobushcraft · Edições anteriores: todas as edições do Do Alto
Fontes desta edição
ENGB, guia do participante · ENGB, perfil · Guilda, inscrição · BushCast 221 · Arthur Jorge, EMCG · Mota Bushcraft · Mestre do Mato, Cobra Criada · Mestre do Mato, fogo primitivo · Moidú · Otávio Cko · UICLAP · Woodland Ways · Humberto Costa · Jason Ingamells · Instituto Socioambiental · Wilderness Gathering · Georgia Bushcraft · Mato Verde, case de couro · Toniolo, peconha · Arthur Jorge, vídeo · Vereda Sertaneja · Dambrós · Dambrós Intensive · CNN Brasil, peconha · SES-SP via Metrópoles · Agência SP · SES-SP, ninfas · SP Sem Fogo
O mapa do bushcraft brasileiro está no ar em do-alto.pages.dev/mapa: quem é, onde fica e o que faz, de norte a sul, com busca e filtro. Se você tem um grupo, uma escola ou um encontro e quer aparecer, manda as informações que a gente inclui. É sem custo e sem contrapartida, e quem quiser sair da lista, sai.
Manda pra picoaltobushcraft@gmail.com ou pelo direct do instagram @picoaltobushcraft.
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