Humberto Costa guiou uma escola inglesa pela Amazônia, e a agenda até novembro

Do Alto
Boletim Pico Alto Bushcraft
Edição nº 04 · 1 de outubro de 2026 · quinzenal

Nesta edição: o Humberto Costa guiando uma escola inglesa pela Amazônia, com uma família ribeirinha e o povo Tatuyo entre os professores; o ENGB de novembro sem cobrança de entrada, com a correção do que a edição passada disse sobre isso, e a Guilda com prazo de lote; outubro com mato em quatro estados; um livro novo do Otávio Cko sobre a origem de duas palavras; cinco vídeos que valeram a quinzena; e o carrapato-estrela como atenção do mês.

Movimento01/07

Humberto Costa guiou a escola inglesa pela Amazônia

Foram 24 dias de Amazônia, entre montar e realizar: a expedição da Woodland Ways, escola britânica de bushcraft, teve o Costa como guia no país, e quatro fases, duas delas com professores da própria floresta.

24
dias do Costa na selva
8-19/09
a expedição de 2026
4
fases
10
alunos, no máximo

Humberto Costa, da Costa Bushcraft and Survival, fechou em 18 de setembro o que chamou de missão cumprida: 24 dias vivendo a Amazônia, entre a montagem e a realização do Jungle Survival. É a expedição amazônica da Woodland Ways, escola britânica de bushcraft e sobrevivência dirigida por Jason Ingamells, com base em Derbyshire, na Inglaterra, que tem no Costa o guia no Brasil. A página da escola diz que a expedição é conduzida pela equipe dela em parceria com profissionais locais e comunidades indígenas, e que é a relação de uma vida do Costa com a Amazônia que garante acesso, segurança e integridade cultural do começo ao fim.

Pela página da Woodland Ways, são duas semanas, dez dias dentro da floresta, no máximo dez alunos e chegada por Manaus. A expedição inclui comida e água no acampamento, com um aviso: o aluno ajuda a preparar as duas. Cobre também o transporte por terra e por rio e o albergue da primeira e da última noite. Do preparo físico, a escola pede pouco e avisa bastante: quem caminha um dia inteiro por morro e campo, em terreno irregular, sem problema, deve dar conta, mas o calor e a umidade são altos, e pesam mais do que parece.

A primeira fase é um acampamento fixo de cerca de cinco dias, e o programa publicado tem nove frentes. Começa pela cabeça: medo, carga mental e tomada de decisão num ambiente úmido e cheio de estímulo. Segue por navegação natural, bússola, mapa e viagem de rio, com o que a escola chama de avaliação honesta dos limites do GPS debaixo da copa fechada. Depois vêm ferramenta e artesanato com material da mata; corda, amarra, cesto e rede de fibra natural; caça, armadilha, pesca e uso de planta, com ênfase em sustentabilidade e na prática local; abrigo que dê conta de chuva, ventilação, inseto e calor; água, da busca à purificação; primeiros socorros de selva, com protocolo para picada de bicho peçonhento e plano de evacuação; e o comportamento da fauna, de cobra e inseto a mamífero grande.

Vale ler essa lista devagar, porque ela serve a quem pratica aqui sem nunca ter pisado em Manaus. Repare na ordem: antes de qualquer ferramenta, o primeiro item é como a cabeça reage ao medo e ao cansaço, e é ela que decide o resto. Duas outras coisas chamam atenção. A primeira é o sono: a escola põe o sistema de rede, o manejo da roupa e a qualidade do descanso dentro do item do abrigo, como fator de desempenho, e não como conforto. É a mesma rede que a Woodlore destacou na edição 02, quando escreveu sobre o Dambrós: rede com mosquiteiro e lona por causa da umidade, do inseto e da chuva, que a escola do Ray Mears chamou de exemplo de adaptar técnica ao ambiente. A segunda é o GPS. Uma escola que vende expedição diz com todas as letras que ele tem limite debaixo da mata fechada, e ensina bússola, mapa e leitura do terreno antes dele.

Depois do acampamento, a expedição passou por duas comunidades. A primeira, pela página da escola, é uma comunidade de rio de água preta, especializada em trançado, uso de balsa e vida sustentável no rio. No relato do Jason, foram dias com uma família ribeirinha que vive da floresta e do rio na cheia e na seca, aprendendo pesca de arpão, linha de mão e flutuação.

A terceira fase foi rio acima, com uma comunidade do povo Tatuyo. A página fala em subir em árvore para colher alimento, técnicas tradicionais de caça e pesca e a feitura de pigmentos naturais, dentro de um quadro espiritual e cultural; o Jason relatou armadilha, coleta, preparo dos frutos da floresta e trançado. Pelo Instituto Socioambiental, os Tatuyo estão entre os povos de língua da família tukano oriental do rio Uaupés, no noroeste amazônico.

A quarta foi o isolamento: pequenos grupos deixados na mata com equipamento reduzido, escolhendo onde acampar, montando abrigo, conseguindo comida e cuidando do fogo sem instrução direta. A duração dessa fase não é revelada de propósito, diz a página, e os grupos não sabiam quando seriam retirados. A escola avisa ainda que, uma vez lá dentro, em algumas áreas não há como sair, nem comunicação com o mundo de fora até os pontos de encontro. Terminou sem incidente. O encerramento teve uma cerimônia de bênção dos Tatuyo, e sobre isso não há o que acrescentar.

O que isso diz a quem lê daqui. Na edição 02, foi a Woodlore, a escola do Ray Mears, que perguntou ao Dambrós como se faz bushcraft no Brasil. Agora uma escola inglesa trouxe alunos para aprender aqui, e os professores das fases do meio foram uma família ribeirinha e um povo indígena, com nome. O próprio Costa resumiu em 25 de setembro: é um encontro de quem busca conhecimento com quem compartilha conhecimento, inclusive ancestral. E é só o começo, disse.

E vale notar o cuidado com que a própria escola escreveu. A fase com os Tatuyo aparece dentro de um quadro espiritual e cultural, e não como aula de técnica solta, e o que se aprende com a comunidade do rio vem junto com o significado do ofício. É a régua de Outros matos, a editoria deste boletim sobre de onde vêm as coisas que a gente usa: técnica de outro povo chega com o nome do povo, e o que é cerimônia continua sendo cerimônia.

Expedição: Amazon Jungle Bushcraft Expedition, no site da Woodland Ways; programa e datas conferidos em 28 de setembro. Relato das fases: perfis do Humberto Costa, @humbertocostagn02, e do Jason Ingamells. Povo Tatuyo: Instituto Socioambiental.
Agenda nacional02/07

O ENGB de 2026 não cobra entrada

O guia do participante do 11º encontro, no Rio, diz com todas as letras: excepcionalmente em 2026, não há cobrança de entrada. Quem vai paga só o uso do camping, e um fim de semana com barraca pequena sai por 84,20 reais.

R$ 0
entrada no 11º ENGB
R$ 36,50
pernoite por pessoa, por noite
R$ 18
day use por pessoa
20-22/11
Recreio dos Bandeirantes, RJ

O Encontro Nacional de Grupos de Bushcraft publicou o guia do participante da 11ª edição, e o perfil oficial passou a apontar para ele nos posts de 25 de setembro em diante. O item 6, Quanto custa, abre em caixa alta: excepcionalmente em 2026, o ENGB não terá cobrança de entrada. A participação no evento é gratuita.

O que se paga é o camping, direto ao Camping Clube do Brasil, na unidade RJ-10 do Recreio dos Bandeirantes, em frente à Praia da Macumba, na Estrada do Pontal, 5.900. Quem vai pernoitar paga 36,50 reais por pessoa por noite, mais a barraca, a rede ou a tenda: 5,60 por noite até 9 metros quadrados, 13,40 até 24. Quem vai só durante o dia paga o day use, 18 reais por pessoa a partir de 5 anos. O próprio guia faz a conta: uma pessoa com barraca pequena, de sexta a domingo, são duas noites e 84,20 reais. Um casal, 157,20.

O guia traz também o que pesa na mochila de quem vai. O camping não tem bebedouro de água potável, então a água vai junto ou se compra lá. A energia é 220 volts. Há banheiro e chuveiro quente. Comida própria e fogareiro são permitidos, dentro das regras do camping. Grupos com mais de 10 pessoas podem ter condição especial na compra antecipada de patch e camisa, e a organização recomenda comprar antes, porque o estoque no local pode ser curto; quem comprar e não puder ir tem um mês depois do evento para combinar a retirada. Na lista do que levar entram copo reutilizável, saco para o próprio lixo, roupa de chuva, repelente e extensão elétrica. E a organização pede que cada grupo leve a sua bandeira, e que caravana de ônibus avise antes.

E há três regras que mudam a mochila de quem pratica bushcraft, todas no item 16 do guia. Não haverá fogueira durante o ENGB, por causa da área de preservação ambiental vizinha ao camping. Churrasqueira só suspensa, sem contato com o solo. E não é permitido pernoitar em abrigo improvisado nem em sistema de bivaque: é barraca, rede ou tenda. Quem planejava montar abrigo de lona e galho para dormir, planeja outra coisa. O guia avisa ainda que o encontro não será cancelado por chuva, e que proteger a própria estrutura contra chuva e vento é responsabilidade de cada um.

Quem vem de avião desce no Galeão ou no Santos Dumont, e o guia sugere aplicativo direto até o camping. Para quem vem de ônibus de fora do Rio, o caminho que o guia indica é sair da Rodoviária Novo Rio para a Central do Brasil, pegar a linha 315 até o Mercado Leão, no Recreio, e dali a linha 810, que passa mais ou menos de hora em hora e deixa em frente ao camping. Animal, só de pequeno porte, com taxa de 10,50 reais por noite, e nenhum no day use, que vale até as 18h. Menor de 18 anos, só com o responsável legal junto.

Nas últimas duas semanas, o perfil do encontro foi confirmando quem vai: o grupo Guerreiros Bushcraft, a revista Guerreiros Outdoor com a cobertura oficial, a Javalis Outdoor como loja oficial e patrocinadora, a Survivor Gear na área de expositores, o grupo de trilha Tamo Junto na Trilha e, na segunda, 28 de setembro, o Jocimar Bruno. A programação completa ainda não saiu: o guia diz que o link entra na mesma página assim que estiver pronto. O mesmo vale para os horários de check-in e de credenciamento, que o guia promete divulgar depois.

Uma correção, porque ela é nossa. A edição 03 disse que a entrada seria paga direto ao camping, com valor diferenciado para participante. Era o que o perfil oficial tinha publicado em 3 de agosto, e foi o que se repassou nos grupos. O guia de agora diz outra coisa, e vale o guia: o ENGB não cobra, e o camping cobra o uso. Quem repassou a informação da edição passada, repassa esta.

Duas semanas antes, em Brasília, a Guilda Bushcraft abriu a inscrição da segunda edição, que leva o nome Reunindo Amigos. O encontro é de 6 a 8 de novembro, no Clube Gravatá, em Ceilândia, no Distrito Federal, com credenciamento a partir das 6h da sexta e abertura oficial às 16h. O primeiro lote custa 130 reais e vale os três dias, até 25 de outubro às 23h59. A meia entrada, de 65 reais, é para maiores de 60 anos, menores de 12 e estudantes, com comprovação na chegada. Patch, camisa, boné e lenço estão em pré-venda até a mesma data.

Os palestrantes anunciados na página de inscrição são Giuliano Toniolo, Coronel Montibeller, o grupo Guerreiros Bushcraft, Humberto Cerrado, Wester Silva e Moraes Preparação. O grupo que organiza a Guilda é formado por Wellington Aranha, Wester Silva, Alex Moraes e Nicolai Mirsky, e o credenciamento é feito na chegada, com pulseira de participação. O link já circula nos grupos desde meados de setembro; o que a gente acrescenta é a data que importa, domingo, 25 de outubro, quando vence o lote. Para quem nunca foi, o BushCast, programa semanal dos Guerreiros, dedicou o episódio 221, de 22 de setembro, só à Guilda: uma hora e meia sobre a história, as oficinas, os expositores e o que está sendo preparado para este ano.
BushCast 221: youtu.be/0nRaKE4jGm8

Os dois encontros ficam a duas semanas de distância e têm modelos diferentes. Um cobra ingresso e vende o lote com antecedência; o outro abriu mão da entrada e deixou a conta com o camping. Para quem organiza, são dois jeitos de responder à mesma pergunta. Para quem vai, é novembro com duas datas e a conta já feita.

Lá fora, o mesmo fim de semana da Guilda tem o Georgia Bushcraft Fall Gathering, nos Estados Unidos, de 6 a 8 de novembro, com mais de 150 aulas. O Wilderness Gathering, o festival de bushcraft mais antigo do Reino Unido, já marcou 2027: de 19 a 22 de agosto, de novo em Hole Park, no condado de Kent.

Guia completo do ENGB, com mapa, regras e o que levar: engb.com.br/informacoes. Inscrição da Guilda: doity.com.br/guildabushcraft-2026. Valores copiados das duas páginas oficiais, conferidas em 28 de setembro. Camping Clube do Brasil: (21) 3988-8280. Datas de fora copiadas do site oficial de cada evento.
Agenda nacional03/07

Outubro tem mato em quatro estados

Um encontro de três dias na Paraíba, uma imersão de fim de semana em Santa Catarina, uma oficina de um dia em São Paulo e um curso de uma semana em Minas. Quatro formatos, em pouco mais de duas semanas.

16-18/10
EMCG, Massaranduba, PB
24/10
Lâminas e Fogo, Mairiporã, SP
25-31/10
Cobra Criada, Lagoa Santa, MG
31/10
Dambrós Intensive, até 1/11, Garuva, SC

O EMCG, o Encontro dos Mateiros, abre o mês de 16 a 18 de outubro na Granja Terraço do Mocó, em Massaranduba, na Paraíba. A inscrição fechou em 20 de setembro, como avisado aqui, e no último dia o Arthur Jorge anunciou o Giuliano Toniolo como convidado especial da edição, ao lado do Humberto Costa. A lista de apoio cresceu na reta final, com o Tocaia Bushcraft entre os nomes novos.

No sábado, 24, o Mota Bushcraft faz no Camping Mairiporã, na Grande São Paulo, a última edição do ano da oficina Lâminas e Fogo na Natureza. O Vitor anunciou em 25 de setembro, com vagas limitadas, e no mesmo formato da edição de setembro: lâmina, madeira, fogo e isca. É a data mais perto de quem está no Sudeste, e a única do mês que cabe num dia só.

E em Lagoa Santa, Minas Gerais, a Escola Mestre do Mato fecha outubro com dois cursos seguidos: o de fogo primitivo, em 23 e 24, e o Cobra Criada, de 25 a 31, uma semana de treinamento e vivência em campo ministrada pelo Giuliano Toniolo, com apenas seis vagas, segundo o anúncio de 21 de setembro. Somando o EMCG e a palestra marcada na Guilda, são três estados em menos de um mês para um dos seis nomes que o mapa lista entre os mestres.

E a imersão de Santa Catarina mudou de data: o primeiro Intensive da Escola Catarinense de Bushcraft, com o Leocir Dambrós em Garuva, passou para 31 de outubro e 1º de novembro, por causa do segundo turno, e dá para esticar até o feriado do dia 2. O Dambrós já mostrou a imersão em dois vídeos no canal dele.

E a primeira data de 2027 já existe. O Moidú Bushcraft, encontro do Rio Grande do Sul, anunciou a quinta edição para 30 de abril a 2 de maio de 2027, com o tema Vida ao Ar Livre, Wilderness Craft. A identidade visual imita pintura a óleo, em homenagem ao Nagualero, o Ric, criador de conteúdo que registrava os acampamentos também em pintura.

Quatro formatos para a mesma pergunta, que é quanto tempo você tem. Sua data não está aqui? Manda pelo direct. Entra na próxima, sem custo.

Contatos: EMCG pelo @emcgbushcraft; Intensive com o Danny, o @drbushcraft; Lâminas e Fogo pelo @mota_bushcraft; Cobra Criada pelo @escolamestredomato; Moidú pelo @moidu_bushcraft. Datas copiadas dos anúncios de cada um.
Estante04/07

Otávio Cko foi atrás de duas palavras

Um dos seis mestres do mapa publicou um livro sobre a origem de woodcraft e bushcraft. Não é manual: é pesquisa, e com posição declarada.

124
páginas
R$ 39,99
na loja da UICLAP
2º
livro do autor

O Otávio Cko, nome com que o Otávio de Souza Meiatto assina no meio, apresentou em 11 de setembro o segundo livro dele: Woodcraft e Bushcraft, um ensaio sobre origens e essência. A pergunta que abre o anúncio é direta: de onde realmente vieram o woodcraft e o bushcraft, não só como prática, mas como conceito, tradição e forma de entender a relação entre gente e natureza.

Pela sinopse, é uma obra histórica e analítica, apoiada em pesquisa bibliográfica e documental: percorre as primeiras ocorrências dos dois termos, como eles se consolidaram com o tempo, e onde as duas tradições se aproximam e se separam. E tem posição. O Otávio escreveu que o livro nasceu também da inconformidade com o jeito como essas tradições vêm sendo reinterpretadas e moldadas às conveniências do presente. É, nas palavras dele, um convite para olhar para trás antes de decidir para onde seguir.

O livro saiu pela UICLAP, a mesma plataforma de publicação independente em que estão os livros do Arthur Jorge e do Giuliano Toniolo. É o segundo título do autor, depois de Fogo e Bushcraft, que trata o fogo como elo com a história dos povos.

Não é resenha. O livro ainda não passou pela estante daqui, e a editoria tem regra: resenha só depois de ler, dizendo o que o livro ensina de fato, para quem serve, onde é denso e onde é raso. Quando passar, sai. E vale a declaração de sempre: o Otávio é leitor deste boletim, está no mapa e já respondeu a uma prática da quinzena.

Foi ele, aliás, quem respondeu em público à prática da edição 02, entalhe uma peça e diga a madeira: um jogo de talheres em goiabeira, de sobra de poda, entalhado com a madeira já seca, que ele achou dura, mas boa para praticar. Dias depois, em 3 de setembro, mostrou a primeira kuksa, a caneca de nó de madeira dos Sámi, do norte da Escandinávia, que foi matéria no blog em agosto. Imperfeita, ele escreveu, mas feita pelas próprias mãos.

A origem da palavra bushcraft é pauta que este boletim quer contar em Outros matos, a editoria sobre de onde vêm as coisas que a gente usa. Agora existe um livro brasileiro inteiro sobre ela, escrito por quem pratica.

Woodcraft e Bushcraft, de Otávio de Souza Meiatto, 124 páginas, na loja da UICLAP, preço conferido em 28 de setembro. Sem link de afiliado. Perfil do autor: @otavio_cko.
Passou nos canais05/07

Cinco vídeos que valeram a quinzena

Um case de couro feito à mão, uma técnica do Norte, uma oficina da Paraíba, uma mochila do sertão e quatro dias de chuva sozinho. Com o nome de quem fez e uma linha de por que vale.

Jorge, do Mato Verde Bushcraft, em Santa Catarina, mostrou em 20 de setembro, em primeira mão, uma peça que queria havia tempo e que não se acha pronta no Brasil: um case de couro, todo feito à mão, que leva junto o machado e a serra de São José. Fivela, mosquetão e rebites são de latão, a alça sai para manutenção e a tampa fecha com dois botões de pressão. Quem fez foi o Robson Budernik, da Budernik Couros, artesão de pederneiras e strikers. Ainda é primeira impressão, gravada de dentro do tipi e com a voz gripada, e o teste no mato ficou prometido para as próximas semanas. Vale pelo artesão e pela ideia de uso: uma tarde buscando fatwood com mochila pequena, as duas ferramentas grandes por fora.
Assista: youtu.be/anc6g6xqiLE

Giuliano Toniolo publicou em 21 de setembro dois minutos sobre a peconha, o laço preso aos pés que o apanhador de açaí usa para subir no tronco liso da palmeira, feito tradicionalmente da própria palha torcida. É técnica de trabalho do Norte, e a queda é o risco dela. Conversa com a matéria de capa: subir em árvore para colher alimento está no programa da fase com os Tatuyo.
Assista: youtu.be/LwnCslRFsAU

Arthur Jorge, de Campina Grande, na Paraíba, em 14 de setembro: três modelos de suporte de panela para o fogo, o pot hanger, e como fazer tecido carbonizado. São 22 minutos de oficina sem pressa, do anfitrião do EMCG. Vale para quem vai ao encontro e quer chegar com o básico feito, e para quem não vai e quer aprender com quem recebe.
Assista: youtu.be/6u436LZj3X4

Fernando Riça, do Vereda Sertaneja, no Ceará, mostrou em 26 de setembro o que leva na mochila para uma atividade de um dia. Seis minutos, e a ressalva que faz o vídeo valer: se for pernoitar, quase tudo muda, até a mochila. Vale por separar as duas coisas com clareza, e pelo sertão como cenário, que a curadoria daqui quer ver mais vezes.
Assista: youtu.be/otlhgF13Hn8

E o Leocir Dambrós, em 21 de setembro: quatro dias sozinho na mata, com chuva forte em dias seguidos, reformando e trançando uma cadeira com cipó, cuidando do fogo debaixo de tempestade e assando carne em pedra quente. Passou de 15 mil visualizações em uma semana, e a cadeira trançada, do minuto 3 em diante, já vale o vídeo. É o professor do Intensive de outubro trabalhando sozinho, que é um bom jeito de ver como ele ensina.
Assista: youtu.be/8uYOL43UNvY

Todos os canais estão no mapa. Viu vídeo bom nesta quinzena que não está aqui? Manda o link pelo direct do @picoaltobushcraft, com o nome de quem fez. A editoria vive disso, e o crédito é sempre de quem gravou.
Segurança06/07

Atenção do mês: o carrapato-estrela

São Paulo soma 26 mortes por febre maculosa em 2026, em 28 casos confirmados. A doença pega em quem anda no mato, e a fase jovem do carrapato, a mais difícil de ver, fica alta no ambiente até novembro.

28
casos confirmados em SP em 2026
26
mortes
6
casos em investigação

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou em 25 de setembro a 26ª morte por febre maculosa no estado neste ano, em 28 casos confirmados, com outros seis em investigação. As regiões de Campinas, com 10 casos, e de Piracicaba, com 6, concentram as infecções prováveis; Sorocaba tem 3. Em 2025, o estado teve 61 casos e 44 mortes.

A doença é causada por uma bactéria e passa pela picada do carrapato infectado, principalmente o carrapato-estrela. Segundo a Secretaria, entre junho e novembro a infestação de ninfas, a fase jovem do bicho, pequena e difícil de ver na pele, é alta no ambiente.

Os sintomas aparecem em cerca de sete dias: febre, dor de cabeça forte, dor no corpo e nas juntas, cansaço. Entre o terceiro e o quinto dia surgem manchas avermelhadas, que começam nos punhos e nos tornozelos. O tratamento é com antibiótico específico, gratuito no SUS, e deve começar logo, sem esperar a confirmação do laboratório. A rapidez é o que muda o desfecho.

Na prática, para quem vai ao mato agora: roupa clara, de manga longa, calça comprida e calçado fechado, porque no tecido claro o carrapato aparece. Repelente conforme a orientação do fabricante. Olhar o corpo inteiro a cada três horas em área de risco, e de novo no banho. Achou um preso? Pinça, movimento firme e delicado, sem esmagar. E se a febre vier na semana seguinte, conte ao médico onde você esteve: é o que ajuda a pensar em febre maculosa a tempo.

E o aviso que não muda, em uma linha: São Paulo está na fase vermelha da Operação SP Sem Fogo, que vai de junho a outubro. Fogo elevado, sempre, e nenhuma fogueira de chão.

Febre depois do mato? Conte ao médico onde você esteve.

Fontes: balanço da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo de 25 de setembro de 2026; orientações de prevenção publicadas pela Agência SP em 23 de julho de 2026; época das ninfas, Secretaria de Estado da Saúde. Fogo: Operação SP Sem Fogo, Semil.
Prática07/07

Prática da quinzena: o fio que corta papel

Com carrapato no mato, a prática desta quinzena é de mesa de cozinha.

Afiar a faca. Pedra, lixa colada numa tábua ou o que você tiver, mantendo o mesmo ângulo do fio de um lado e do outro. O teste é uma folha de papel segura por uma ponta: a faca afiada corta sem rasgar.

Manda o vídeo do teste: no grupo do Pico Alto no Instagram, é só postar; no seu perfil, marcando o @picoaltobushcraft com a tag #praticadoalto. Quem ainda deve a amarra quadrada da edição passada, manda junto. O que chegar vira matéria na próxima, com crédito.

A tag é #praticadoalto, em minúscula e sem acento.

Pico Alto Bushcraft no Instagram: @picoaltobushcraft · Edições anteriores: todas as edições do Do Alto

Fontes desta edição
ENGB, guia do participante · ENGB, perfil · Guilda, inscrição · BushCast 221 · Arthur Jorge, EMCG · Mota Bushcraft · Mestre do Mato, Cobra Criada · Mestre do Mato, fogo primitivo · Moidú · Otávio Cko · UICLAP · Woodland Ways · Humberto Costa · Jason Ingamells · Instituto Socioambiental · Wilderness Gathering · Georgia Bushcraft · Mato Verde, case de couro · Toniolo, peconha · Arthur Jorge, vídeo · Vereda Sertaneja · Dambrós · Dambrós Intensive · CNN Brasil, peconha · SES-SP via Metrópoles · Agência SP · SES-SP, ninfas · SP Sem Fogo

O mapa dos grupos

O mapa do bushcraft brasileiro está no ar em do-alto.pages.dev/mapa: quem é, onde fica e o que faz, de norte a sul, com busca e filtro. Se você tem um grupo, uma escola ou um encontro e quer aparecer, manda as informações que a gente inclui. É sem custo e sem contrapartida, e quem quiser sair da lista, sai.

Manda pra picoaltobushcraft@gmail.com ou pelo direct do instagram @picoaltobushcraft.

Quem apoia este boletim
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