O que é o Pico Alto Bushcraft: fogueiras, montanha e amizade de verdade

O Pico Alto Bushcraft não nasceu de um plano de negócio. Nasceu de uma vontade simples: fazer amigos de verdade e acender fogueiras juntos. Tudo o que existe em volta, os encontros, o blog, as oficinas, a comunidade que cresce, é desdobramento dessa frase.

A base é a montanha que dá nome ao movimento: o Pico Alto, com encontro marcado no alto da Pedra Grande, em Atibaia, interior de São Paulo. Mas o Pico Alto não é um lugar. É um jeito de estar no mato, e um jeito de estar junto.

De onde veio

O primeiro encontro, em junho de 2025, choveu do começo ao fim. A galera chegou junto com a chuva e ninguém foi embora. A fogueira virou ponto de encontro automático, e ali ficou claro que aquilo tinha vida própria.

No segundo encontro, em julho de 2026, aconteceu o contrário, e quase a mesma coisa. Subi a Pedra Grande com o céu fechado, nuvem baixa, daquelas que fazem a maioria desistir antes de calçar a bota. A galera foi chegando aos poucos, um carro depois do outro. E enquanto a roda se formava, o céu abriu de vez: azul limpo em cima, o vale inteiro aparecendo lá embaixo. Chuva ou sol, o essencial se repete: gente que sobe a montanha pra estar de verdade, não pra performar.

O que acontece num encontro

Não espere grade de programação apertada. A filosofia é o contrário: menos oficina marcada, mais tempo orgânico. O dia se organiza em volta de poucas âncoras fortes, e o resto acontece.

Trilha que cobra e recompensa. Descida pela mata fechada até a base do Pico Alto, café passado no meio do verde, resenha das boas. Na volta, um paredão que faz o fôlego pesar e a mão procurar apoio. Ninguém fica pra trás. Cada um vence do seu jeito, e essa é a lição que se leva pra casa.

Comida com história. No último encontro, a âncora foi a paella valenciana do Tio Marcão, preparada ao vivo, com a tradição espanhola dos campeiros contada enquanto o fogo trabalhava. Faltou açafrão e ele desceu de carro até a cidade pra buscar, porque um prato feito com esse zelo deixa de ser comida e vira acontecimento. Mesa cheia, gente ombro a ombro, prato passando de mão em mão.

Oficinas cocriadas. Aqui ninguém dá aula de cima pra baixo. Quem sabe, mostra; quem quer, aprende; e no encontro seguinte os papéis se invertem. Já teve oficina de nós na fogueira (em que todo mundo travou no nó oito e rendeu a piada da noite), oficina de lâminas com o Vitor da Mota Bushcraft contando como a escola dele nasceu, e até uma conversa sobre corpo e preparo físico, porque bushcraft não é só o fim de semana no mato. É jeito de viver, cuidado que a gente leva pra dentro de casa.

Paisagem sonora. Talvez o momento mais diferente do que se vê por aí. No domingo, sem despertador e sem obrigação, quem sente de levantar cedo senta em silêncio no mato e escuta o mundo acordar em camadas. No último encontro, entre seis e sete e meia da manhã, registramos cerca de 311 pássaros. A prática me foi inspirada pelo Juan Pablo Culasso, do projeto Sonidos Invisibles, observador de pássaros cego que reconhece tudo de ouvido. Conheci o trabalho dele no primeiro encontro de birdwatching de Paraty, virei fã na hora, e desde então a paisagem sonora faz parte do que eu carrego: ouvir como quem enxerga pelo som.

Feira do Escambo. Ritual de fechamento: troca de equipamento, de história e de contato. Cada um leva o que não usa mais e volta com algo que outro mateiro carregou. Anti-consumo na prática.

Quem caminha junto

O Pico Alto se constrói em rede. A ExFa, Explorando em Família, da Marli e do Marcos Pappen, é parceira desde o início, presença que soma sempre (o poncho sorteado no último encontro saiu das mãos deles). A Mota Bushcraft, do Vitor, em Mairiporã, é a escola amiga da região: um puxa o outro, e o movimento mateiro de toda a serra cresce junto. E tem os mestres que inspiram esse caminho Brasil afora, sobre os quais já escrevi aqui no blog.

Eu não sou instrutor de ninguém. Sou o idealizador e o anfitrião, o cara que acende a primeira fogueira e segura o espaço pra que o resto aconteça. O conteúdo de verdade quem traz sou eu, e também abro na roda: quem tem algo a somar, soma.

Pra quem é

Pra quem foi criado solto e sente falta. Pra quem nunca dormiu no mato e quer começar acompanhado. Pra quem está cansado de programa de fim de semana decorado, sem espaço pra acontecer. Pra quem entende, ou quer entender, que desconforto não é perigo, e que homem e mulher crescem no primeiro.

Vagas limitadas por encontro, de propósito: grupo pequeno é o que permite papo reto, ninguém perdido no meio da multidão, tempo de sobra pra conversa de verdade.

O 3º Encontro vem aí: junho ou julho de 2027, com a data exata anunciada em breve. Se você leu até aqui e sentiu o chamado, acompanha a gente no Instagram @picoaltobushcraft e aqui no blog. A montanha não vai a lugar nenhum. A gente sobe junto.

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